EU MORRI, E VOCÊ?

MINHA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO.

Tenho uma história de vida interessante. Passei por algumas situações que derrubariam qualquer leão, mas consegui superar todas elas, saindo cada vez mais forte e consciente da vida que eu deveria escolher.

Logo no inicio de minha carreira profissional, ainda na faculdade, descobri um tumor cerebral que poderia me matar. A cirurgia me dava 5% de chance de sobreviver, podendo causar cegueira e tirar o raciocínio lógico, que eu tanto prezo.

Usando toda a força minha força, decidi passar pela cirurgia e além de sobreviver, saí sem sequelas mais graves.

Alguns anos mais tarde, durante as correrias da vida, trabalhando a 100 km de casa, viajando mais de 4 horas todos os dias e carregando meu maior presente dentro de meu corpo, esqueci de olhar para mim, e cheguei à obesidade, com mais de 100kg nos meus 1,66m de altura. Poucos anos depois, em um processo de despertar novamente, eliminei 40 kg com puro foco, disciplina e determinação.

A correria da vida não para nunca e basta um piscar de olhos para que sejamos engolidos pela rotina. Facilmente nos deixamos levar pelas distrações, problemas e desculpas diversas. Quando me dei conta, estava sendo diagnosticada com um câncer na tireoide.

O maior desafio não foi o tratamento ou a cirurgia e sim a cabeça. Mas não aceitei outra alternativa, a não ser enfrentar e superar bravamente mais uma surpresa que a vida me impôs. Na última década minha vida profissional foi repleta de desafios profissionais, com grandes responsabilidades em altos cargos em multinacionais. Todos esses acontecimentos foram acontecendo simultaneamente.

Em 2016, atuava como Gerente de Recursos Humanos em uma grande corporação e era responsável por toda a América do Sul. As equipes espalhadas em quatro países, a subordinação direta ao presidente da divisão e indireta a diversos diretores em todo o mundo, além do suporte a um grupo de altos executivos em um ano difícil econômico e politicamente, me fizeram viver um dos períodos mais agitados e ocupados da minha carreira profissional. Diversas superações faziam parte do meu dia a dia, o tempo cada vez mais escasso, a produtividade teve que atingir níveis de real excelência.

Faz parte e eu aguentaria, tranquilamente, mas o corpo gritou por socorro e chorou desesperadamente. Todo esse desequilíbrio culminou em uma hérnia de disco comprimindo o canal medular e eu, caída no meio da rua, sem o movimento das pernas, desmaiada pela dor extenuante. Incapaz.

"Todo o profissionalismo, produtividade, proatividade, importância, status, a agenda impraticável, as reuniões intermináveis, os projetos urgentes, os relatórios importantíssimos, tudo isso, que eu tanto valorizava, não valiam mais nada."

Não podiam me ajudar naquele momento. Toda a minha dedicação ao estudo, idiomas, realizações e prêmios não podiam me ajudar. Nem mesmo meu discurso apaixonado pela vida, meu conhecimento em comportamento humano, ou meu trabalho como coach foi capaz de me dar o senso de alerta necessário para que eu evitasse aquela situação.

Afinal, em meio a tanta cobrança e correria, não faz parte do cenário comum alguém de sucesso e alta performance pregando romanticamente que a vida deve ser vivida com propósito e que você deve estar alerta para o que realmente é importante em sua jornada por aqui.

Naquele breve momento, entre os três desmaios a caminho do hospital, tudo o que eu me perguntava era: de novo comigo? O que eu fiz para isso acontecer? O que eu deveria ter feito para evitar? O que passou pela minha vida nos últimos anos? E se eu não puder mais brincar com a minha filha? E se eu não puder mais me exercitar? Por que eu neguei tantos encontros com minhas amigas ou minha família? Onde eu estava? Em que eu estava tão ocupada “produzindo” e me “ocupando”?

E durante a eternidade quântica de espera pelo médico, entendi que aquela pessoa tinha ficado em algum abismo que eu mesma construí, separando de maneira involuntária, o ser integral do ser profissional.

Após passar pela cirurgia, tive que parar e dar o tempo que meu corpo precisou para se restabelecer. Então, vivi os meses seguintes na busca pelo projeto de uma ponte, assim eu poderia construí-la em cima desse abismo e atravessaria de um lado ao outro, conforme a necessidade.


Durante esta fase, enquanto atendia meus clientes que em sua maioria têm uma vida de altíssimo sucesso financeiro, mas com pedaços deixados pelo caminho, construí minha própria jornada e refleti sobre todas estas coisas.

Estava buscando o aprendizado que eu deveria ter com a prova. E então, finalmente todas as minhas experiências pessoais se conectaram com a minha jornada profissional e um filme passou diante dos meus olhos como em uma tela de cinema.

Vi-me careca, com uma enorme cicatriz na cabeça, querendo estudar e não conseguindo, pois meu cérebro não conseguia conectar nem as informações mais simples. Vi-me obesa, sem vontade de sair de casa, sofrendo todo tipo de assédio verbal possível, sendo muitas vezes humilhada. Vi-me passando pela terapia para tratamento do câncer na tireoide e mais uma cirurgia para a coleção. Vi-me passando dias longe de casa, em outros países, deixando minha filha para o trabalho. Vi-me sofrendo com minhas costas durante um ano com 24 horas de dor incapacitante, desfalecida, assustada e com medo, enfrentando mais uma cirurgia, convivendo com as difíceis limitações do pós-operatório e seis pinos de titânio para segurar a barra dessa mulher que eu havia me tornado e não havia me dado conta.

Ao refletir sobre todas essas coisas, vi que eu só tinha alcançado o sucesso profissional, os lucros, a alta produtividade, a sensação de propósito e o título alta performance porque eu tinha decidido viver uma vida plena, sempre buscando aprender, estudando incessantemente, criando conexão com as pessoas à minha volta, sentindo cada segundo, desfrutando dos relacionamentos e das vitórias do caminho.

Descobri que foram exatamente nas vezes em que eu deixei de estar alerta para essa decisão, que os resultados ruíram. Então, me dei conta que eu tinha descoberto uma estratégia única para conseguir isso. E ali estava a minha missão.

E estou aqui, fora do cenário comum, defendendo algo irrefutável, pois vi e vivenciei: não existe alta performance, sucesso, resultados ou lucros sem o desenvolvimento humano, e não existe desenvolvimento humano, sem o entendimento e a decisão de viver uma vida plena, completa e equilibrada.

Não existe desenvolvimento humano sem a decisão de viver uma vida com propósito.